15 abril, 2006

Tecate || Terras de fronteira

A primeira vez que bebi uma Tecate estava no México na condição de repórter – e não esqueço essa tarde, sobretudo porque terminou com um tiroteio perto de San Cristóbal de las Casas, no coração de Chiapas. A estrada ia começar a atravessar a Sierra Madre del Sur e, depois, daí a duzentos quilómetros, desceria para Tapachula e para o Pacífico. Não chegou a descer, pelo menos nessa tarde: voltámos para trás, mas consegui trazer para dentro do carro duas latas de Tecate, a cerveja mais mencionada nos livros de Raymond Chandler, apesar de Philip Marlowe nunca ter bebido uma, que eu saiba. Se se recordam, aparece Tecate em A Dama do Lago e em O Imenso Adeus: é uma cerveja mexicana em algum do seu esplendor, e bebe-se em Portugal, menos do que a infalível Corona ou a previsível Dos Equis. Mas vale muito a pena. Não é uma cerveja fácil, apesar de ser muito próxima das cervejas a que o «bebedor médio português» está habituado: uma lager distinta, sim, mas ligeira em matéria de corpo e de álcool (4,5%), e uma das melhores que o México oferece. É provável que o «fim de boca» seja um pouco aquoso, mas o sabor da cerveja é intenso ao primeiro toque na língua. Recomendo que se beba com uns pickles que levem um tonzinho picante, a lembrar alguns «chiles» de fim de tarde. Mas não lhe acrescente limão nem outras modernices. O México desculpa a inflexibilidade.

+MARCA: Tecate
Origem: México
Álcool: 4,5%
Avaliação: ***