Oranjeboom || Forte Oranje
O primeiro contacto que tive com a família dos príncipes Oranje-Nassau foi no Recife, Brasil. Confesso, a esta distância, que o Recife seria uma cidade bem mais pobre se não fosse a intervenção militar e civilizadora dos holandeses, que levaram para a actual capital do Pernambuco um traçado moderno, pontes, canais, jardins, bibliotecas, edifícios públicos. Derrotados definitivamente na derradeira batalha dos Guararapes, e expulsos de Itamaracá, regressaram à Holanda. De qualquer modo, já antes das campanhas militares, a Companhia das Índias Ocidentais, em Haia, nunca foi brincadeira: ao ver que a exploração do açúcar e das madeiras já não rendia como no princípio, mandou que o príncipe Nassau (botânico, literato, naturalista, viajante, retratista & pintor) fizesse as malas e retornasse, célere, para beber lagers em Amesterdão. Nessa altura ainda não existia a Oranjeboom, criada pela cervejaria fundada em 1671 e que hoje ainda nos proporciona algumas horas de gosto. A Oranjeboom Premium Lager é esse exemplo holandês: fresca, atrevida e loira (loira-loira). A gente observa-a, passando, e é esse o retrato. Infelizmente, uma prova mais séria fica marcada por uma certa decepção: o aroma não é o seu forte; o paladar é fresco, sim, mas nada de intensidade ou de grande originalidade; a cor distancia-a de uma pilsener, mas a textura aproxima-a; a espuma forma-se em cascatas que se soltam pelas paredes do copo, descendo com seriedade mas sem aquela sensualidade que faz a felicidade dos bebedores. Cerveja calvinista, por certo, pouco interessada em matérias libidinais. Seja como for, encontrando-a, é um dever prová-la, até pelos séculos que arrasta no seu historial – e podemos encará-la, risonhos, olhá-la bem de frente e murmurar-lhe: «Lembras-te do Forte Oranje, lá no Pernambuco? Pois é, menina. Ganhámos a batalha.» E, depois, um trago valente, patriótico. E refrescante.+MARCA: Oranjeboom Premium Lager
Origem: Holanda
Álcool: 4,5%
Avaliação: **

<< Home