15 abril, 2006

Montejo || Água do Sul

De vez em quando, nos meus devaneios de cozinha, costumo mencionar uma receita de «pavo de escabeche» acompanhado de «arroz con granados»; devia, ao lado, ter aconselhado beber-se uma cerveja apropriada. Seria a Montejo. Erros meus, má fortuna, sede ardente. É provável que os portugueses que já passaram a sua semanita de férias no Yucatán, areias de Cancún, a tenham provado. Felizes os que levaram aos lábios aquela garrafa aloirada, esguia, elegante, saída dos armazéns da Cervecera del Trópico, que também produz a Léon, outra das cervejas pós-coloniais que nasceram rente ao golfo de Mérida e de Campeche. Conheci a Montejo justamente em Mérida, a cidade que ainda hoje conserva o branco e ocre com que D. Francisco de Montejo, a quem se atribui a fundação da cidade, quis colorir os muros das suas ruas. Branco e ocre, justamente – as cores que associei sempre a Montejo, uma cerveja clara, tão pilsener como qualquer europeia, própria para beber nas tardes tépidas do sul do México. Juntamente com a Carta Blanca, esta Montejo merece um aplauso unânime de todas as papilas e do esófago. Falo do esófago por falar, evidentemente; tem mais a ver com aquela frescura intensa que toma conta do corpo mal a «água do sul» começa a descer, arrastando consigo a vontade de estar no meio do Verão. Esse, ainda vem longe – mas devemos começar a chamá-lo com este nome: Montejo.

+MARCA: Montejo
Origem: México

Álcool: 4,5

Avaliação: ***