15 abril, 2006

Layla || Dirty Blonde

Também menciono, nesta resenha, a Maccabi, uma cerveja muito razoável. Regresso a Israel para citar a Layla, uma cerveja mais escurinha do que o habitual mas conservando o tom de reflexos loiros muito apropriados, muito perfeita de corpo, de temperamento fácil e atrevido. Perguntais bem, leitores: «Este está a falar de quê?» Da Layla, justamente – uma cerveja que, lê-se no próprio rótulo, é classificada como «dirty blonde». Ora, como pode um homem ficar imune a uma provocação deste género? A Layla, que importa o malte e o lúpulo directamente da Europa, recebe, além do mais, o selo «kosher», que garante também (para quem não tem preocupações religiosas) um elevado grau de pureza e de qualidade. E agora, a minha heresia: kosher ou não, trata-se de uma dirty blonde, uma lager perfeita, condição essencial para uma cerveja cair no copo e merecer ser bebida. O seu final de boca, doce e rescendendo a caramelo, é invejável para quem pede a uma loira que seja alguma coisa mais do que vistosa quando passa – traduz uma grande intimidade com a arte. Quanto à cintura, é esbelta e evoca a grandiosidade do Médio Oriente. Também, sinceramente, chamar-lhe «dirty blonde» não foi ideia minha; depois não se queixem, mas, mesmo kosher, ela tem aquele encanto sedicioso de quem caminha pelo Boulevard Dizengoff, em Telavive: saia godé, top colorido, espuminha crescendo no copo, tom aloirado e suave, empurrado pelo vento. Eu estava a falar de cerveja.
+MARCA: Layla
Origem: Israel

Álcool: 4%

Avaliação: **