Patrícia || Atravessando a fronteira
A cerveja, tal como quase tudo na vida, tem a ver com as circunstâncias. Por exemplo: o que faz de uma lager banal uma lager especial? Nunca se sabe. Há aquele momento em que a cerveja salta, entre espumas e odores; aquele instante em que a primeira onda de perfume sobe ao longo das paredes do copo (não; beber cerveja pela garrafa não me convence a não ser que a cerveja seja tão fraca que não valha a pena respirá-la); uma história comovente ou romântica a lembrar a primeira vez que se bebeu; e há aquelas razões que se escondem. Não porque nos envergonhem, claro. Mas porque são nossas.A Patrícia é, portanto, uma razão minha. Aí está o caso em que não há argumentos que me demovam: de respiração afável e aroma moderadamente correcto, com um ligeiro toque de fruta, muito próprio das lagers mainstream (a designação pilsener é descabida) é uma cerveja muito cristal, e a sua origem uruguaia é outro momento de poesia. Ao contrário da Argentina, onde se produzem centenas de marcas de cervejas artesanais, e do Brasil, onde a extensão territorial espalha marcas por todo o lado, o Uruguai mantém duas ou três referências fundamentais. A Patrícia é uma delas, juntamente com a Norteña, por exemplo (eu não vou falar das ruelas de bons restaurantes da capital, dos bares recomendados pelo Mario Delgado Aparaín, do mar azulado de Montevideu, ou das calçadas de Colonia de Sacramento). Deve beber-se gelada e sorver-se com um nadinha de inquietação. Sou eu que o digo.
+MARCA: Patricia
Origem: Uruguai
Álcool: 5%
Avaliação: **

<< Home