Leffe (brune) || Loiras, morenas, coisas de Verão
Ainda o Verão: o leitor (supondo que os homens são mais apreciadores de cerveja do que as mulheres…) prefere as loiras ou as morenas? Eu, por mim, tenho inclinações que não se satisfazem com a resposta. Por exemplo, agora – que recordo mais esta cerveja, bebível em Portugal – prefiro as brunes. E gosto desta brune que vem directamente da Abadia de Leffe, fermentada em duas fases solitárias. A garrafa guarda alguma turbulência deste momento final, quando se abre. A princípio a Leffe Brune respira com dificuldade; não admira – o caminho foi árduo até chegar ao nosso copo, trazendo consigo quatro séculos de experiência a receber maltes, calor, lúpulo, águas puríssimas, frio e escuridão das caves dos bons padres da Abadia. Fosse assim a sabedoria de toda a congregação, e teriam a minha compreensão. Como já bebi antes a Leffe blonde, resumo o essencial, que é esse momento em que a tampinha salta e a cerveja se debruça para o copo, derramando as primeiras lágrimas. Aqueles que gostam de cerveja reconhecem o perfume original, a palidez sensual da blonde faz-se substituir pelo tom moreno desta perversa brune onde uma subtil presença de caramelo opera maravilhas sem se aproximar do grau de doçura que pode danificar as papilas. Tudo no seu ponto – não sei explicar, mas alguma alquimia se pratica nas caves de Leffe. Não se pense, no entanto, na santidade dos seus monges criadores. Nada disso: eles conheciam a concupiscência, certamente; de outro modo não poderiam produzir ou autorizar que alguém em seu nome produzisse uma cerveja com o perfume moreno que hoje recomendo. Se atentarem bem no chamado «final de boca», há ali um segredo único que me faz lembrar o melhor método de obter um chocolate perfeito, adicionando-lhe um grão de sal. Pois é isso mesmo. Um grão de sal a desfazer-se na boca – e não há sensualidade pior. Os monges sabiam-na toda.+MARCA: Leffe (brune)
Origem: Bélgica
Álcool: 6,5
Avaliação: ****

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