15 abril, 2006

Stella Artois || Estrela belga

Ah, blondes, trapistas, ruivas, tripels, lambics, morenas, dunkels, festival de cores, aromas, sabores, corações tépidos ou ligeiramente refrescados! Ah, cervejas do paraíso, das abadias, das esplanadas e dos bares de Bruxelas, Antuérpia ou Wingene! Pronto. Chega de euforias. Desçamos à terra e enfrentemos a pilsener de mais estendal na Bélgica, a Stella Artois. Conservem-se as duas ou três garrafas num balde de gelo depois de retiradas do frigorífico enquanto vamos escutando e repetindo os versos de Jacques Brel, o meu poeta de canções, aquele que dizia: «Je lève ma chope de bière à Gauguin.» Sinto uma comoção imperfeita ao ouvir Brel, como ao ler Hugo Claus, imagem tanto do plat pays como do chagrin des belges. («Ça sent la bière, donne-moi la main…», é assim a canção de Brel) A Stella acrescenta-lhe sabor, um nadinha de voz, de amargo, de perfume, de dolência, de paixões desfeitas. Se é boa? É. Não brilha nos céus de Gambrinus, mas tenho o disco de Brel a tocar: «C'est plein de jours morts/ Et d'amours gelées/ Chez nous y a que l'été/ Que les filles aient un corps…» E logo depois : «Ça sent la bière, donne-moi la main…» Tem um final ligeiramente citrino e a espuma não é volumosa nem espessa como deveria, mas bebe-se quase na perfeição, quase com um sorriso. Enfim, é a Stella – e a primeira vez que a vi foi numa propaganda desbotada da minha adolescência, quando Eddy Merckxx ainda corria de amarelo.

+MARCA: Stella Artois
Origem: Bélgica
Álcool: 5%
Avaliação: **