Grolsch || A garrafinha bonita
Depois de apreciar a sua beleza (ou a beleza da sua garrafa verde, com uma mola, verdadeira preciosidade dos processos de engarrafamento de antanho) uns amigos queriam beber uma Grolsch. Eu faço-lhes a vontade, uma vez que estamos diante de uma marca que não envergonha ninguém desde 1615. A garrafinha bonita, ou seja, a mola para tapar a garrafa – e que constitui uma das suas singularidades – é que só apareceu em 1897. Como lager, a Grolsch é uma das mais suaves da sua gama, não excessivamente clara (pelo contrário, tem reflexos doirados muito interessantes), ligeiramente perfumada; muito subtil, delicada – e sem modernices. Isto das modernices explica-se facilmente. Nos nossos supermercados, a Grolsch é prejudicada por aparecer, de facto, numa garrafa bonita; o português, sublimemente desconfiado, pensa logo: «Estes querem é enganar-me com a tampinha de mola.» Ah, portugueses, como vos admiro – por isso as nossas embalagens são as piores. A mola ajuda, é bonita, certamente. Mas chamo a sua atenção, antes, para a beleza da própria cerveja. Ao contrário de outras marcas, esta lager holandesa mantém princípios sérios – nada de humores e de amplexos com outros sabores que não sejam o dos seus ingredientes básicos e o de uma maturação delicada. Há quem ache que a maturação não tem nada a ver com o assunto desde que haja efervescência e algum sabor – mau sinal dos tempos. Recomendo que se beba ao fim da tarde na companhia de salgadinhos e enquanto se aproveita o Verão que acaba de visitar-nos. É uma boa companhia. Pode brincar com a tampinha de mola, ninguém leva a mal.+MARCA: Grolsch
Origem: Holanda
Álcool: 5%
Avaliação: ***

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