15 abril, 2006

Judas || Deliquescente

Sérgio Augusto, um dos melhores cronistas brasileiros de cinema (é autor de vários livros sobre a matéria, incluindo um sobre a chanchada brasileira, e os seus textos mais recentes estão reunidos em Lado B, edição Record), conta que, um dia, quase se despediu de uma revista porque os editores se recusavam a admitir a palavra deliquescente. Eu gosto da palavra e recomendo que o leitor passe pelo dicionário (o Houaiss, já agora). Ora, deliquescência é o que me sugere a cerveja desta semana. De entre as principais marcas e referências belgas de tom mais claro, poderemos falar da Duvel. Faltaria ainda mencionar a Judas. A sua fama alargou-se devido, principalmente, ao nome – que evoca memórias pouco cervejeiras – mas, seja como for, também merece distinção: os seus 8,5 de álcool são o portal de várias promessas. Eu escrevi, lá atrás, «de tom mais claro», mas deve dar-se algum desconto: não é uma pilsener. Encaminha-se para uma ale e não é por acaso que a larga maioria das cervejas belgas «de tom mais claro» são associadas ao «estilo inglês». Assim acontece com a Judas: agradável, sim, e seca, mas com um peso específico que não se envergonha de ser bebido a temperaturas mais exigentes (ou seja, mais frias). É aqui que eu mencionaria a deliquescência: ela deixa-se desfazer, entra em desagregação mal toca a língua, desfaz-se, espalha-se com uma onda até que o álcool, como se supõe (e correctamente), sobe ligeiramente à cabeça. É isto bom? É. Tem dias.

+MARCA: Judas
Origem: Bélgica

Álcool: 8,5%

Avaliação: ***