15 abril, 2006

James Squire Original Amber Ale || O recife de coral

Com peso e suave – essa é a primeira apreciação da James Squire Original Amber Ale, que se aproxima a passos largos de uma ale inglesa. De todas as surpresas que se têm quando se abre uma garrafa de cerveja e se aprecia com uma tranquilidade de fim-de-semana aquele momento em que o líquido desce para o copo, a do aroma da James Squire é das mais fortes e sinceras. Falo de sinceridade por falar: uma cerveja não tem nada a ver com sinceridade mas talvez com autenticidade. As ale das ilhas britânicas oferecem ambas as coisas; não mentem e não se escondem. A James Squire Amber Ale, australiana, olha-se à luz para ver como a sua cor clara pode ser permeável à doçura do momento, tingido de tons avermelhados. Leve-se o copo junto da boca, aspirando os aromas de madeira e um nadinha de fermentação; finalmente, deixemo-nos cair em tentação para apreciar aquela tempestade que toma conta da língua, do céu-da-boca, do palato, como uma onda de caramelo que enfrenta um recife de frescura, cremoso e antigo. É das melhores cervejas que bebi. Para ser sincero, uma das melhores ales que provei, sem a natureza carbonatada das cervejas a que estamos habituados. Não se lhe pode pedir, à James Squire Amber Ale, que seja light & easy como como uma beberagem refrigerante. Desde 1794 que a James Squire ensina a matar a sede. Esta é a prova final, derretida sob aquela vaga de espuma que nos faz rodar, agitar, sacudir o copo para que o interior fique protegido. Yeats tem um poema sobre «a espuma do mar» e eu compreendo a necessidade de se ser romântico uma vez por outra, em circunstâncias que vêm «a pedido». No meu caso, uma James Squire Amber Ale pode ajudar bastante. Ao entrar na Austrália, o grande recife de coral é apenas uma vaga de espuma, o sinal de que Deus (afinal) criou o mundo desta maneira inesperada.

+MARCA: James Squire Amber Ale
Origem: Austrália
Álcool: 5%
Avaliação: *****