15 abril, 2006

Grimbergen (Trippel ) || Cânticos de louvor

Já trouxe a este cantinho a Artevelde Grand Cru como um exemplo mais das cervejas belgas. Insisto hoje com a Grimbergen, não por me lembrar da abadia do mesmo nome, fundada em 1128. Foi um grande ano. Não só pela abadia (que seria destruída várias vezes nos séculos seguintes), mas também pela cerveja que os monges de São Norberto prepararam no lugar, não se sabe exactamente a partir de que ano. O santo morreu três anos depois, mas o nome da bebida manteve-se; em 1958, os monges fizeram um acordo com a Alken-Maes, uma cervejeira das redondezas, para a produzirem em seu nome. Fizeram bem, sobretudo para quem aprecia canto gregoriano, pois os frades passaram a dedicar-se com mais tempo às cordas vocais do que à fermentação, distinguindo-se finalmente na música. Dizem-me que são gargantas límpidas e profundas. Anualmente, celebram mesmo uma missa em honra da cerveja. Actualmente, há duas Grimbergen no nosso mercado: a Double e a Trippel, consoante passam por duas ou por três fermentações. A Double é escura, a Trippel é bastante mais clara e suave até certo ponto e ronda os nove por cento de álcool. Ligeiramente adocicada depois de aberta no copo, há um tom de citrino (tangerina?) que se solta de vez em quando, misturando-se com um aroma de canela muito pouco definido. Não admira que se soltem cânticos em seu louvor. À canela não será, mas a mim pareceu-me.

+MARCA: Grimbergen (Trippel)
Origem: Bélgica
Álcool: 9%
Avaliação: ****