15 abril, 2006

Ringnes || Ai de mim, norueguês

Ai de mim!, com saudades de Bergen. Fogo fátuo, de qualquer modo: não tenho feitio nórdico, embora me desfaça em indicações de cada vez que um amigo vai à Noruega, recomendando-lhe passeios por aqui e por ali, que percorra o caminho dos fiordes, que se perca nas ilhas Lofoten e emudeça diante do mar de Stamsund, que percorra os jardins de Oslo e veja o entardecer de Svolvaer, que, enfim, tenha o seu minuto de dourada contemplação em Honningsväg, lá no Cabo Norte. E, claro, que veja Bergen, que tome um pouco da música de Grieg (o Peer Gynt), naquela montanha de onde o velho porto parece uma baía mediterrânica, e se recorde que o espantoso génio de Ibsen percorreu aqueles trilhos enquanto escrevia, ou pensava em escrever, O Inimigo do Povo. Deixemo-nos de literatura, passemos agora à cerveja. Ela chama-se Ringnes e foi trazida por mão de amigo, depois de passar em Bergen. É uma cerveja clássica norueguesa que nunca atravessou as fronteiras da pátria de Hamsun: uma lager de reflexos dourados, excelente para os pescadores que enfrentavam os rigores do Inverno, com um tom de fruto que lhe cai bem em final de boca. A sua palidez não é total, como se fosse uma cerveja ligeiramente tostada pelo sol, de cereais adocicados e temperados. Não sendo uma revelação, é uma memória; rescende também – ai de mim! – a refeições tépidas e ao entardecer dos mares do norte.

+ MARCA: Ringnes
Origem: Noruega

Álcool: 4,5%

Avaliação: **