Laurentina || Lourenço Marques, pois foi
Falei-vos já, ó portugueses, da moçambicana 2-M. Está uma bela cerveja. Eu também lhe juntaria, de Angola, a Cuca, que provei há meses na Ilha de Luanda, e que foi uma magnífica surpresa – e a Manica, de Moçambique, que também há semanas testei em Maputo, e que se mostrou à altura (voltarei a ela em breve, daqui a umas páginas). Uma cerveja deve provar-se no seu ambiente: uma trapista não convencerá os bebedores brasileiros senão numa sala com ar condicionado; e creio que uma pilsener mexicana (digamos, um dos seus expoentes, a Carta Blanca, por exemplo) dificilmente passará o teste do rigoroso Inverno da Europa do Norte a não ser se for bebida a um balcão apropriado. Por isso, há clientes que se mantêm fiéis à lager, como se ela fosse uma espécie de fio da navalha: uma espécie, aliás, de linha invisível e média, que garante a proximidade aos vários tipos de cerveja; bebendo lager onde quer que se vá não se corre o risco de confrontos civilizacionais. A lager é, não diria um «equador» mas um «trópico de Capricórnio». E chega, para já, de cosmopolitismo. Ora, uma das grandes referências das cervejas moçambicanas foi, sempre, a Laurentina. Durante algum tempo produziu-se mesmo, na Alemanha, uma Laurentina para os supermercados portugueses, tendo em vista essa clientela e essa tradição. Embora: era uma cerveja vulgar. A Laurentina moçambicana, propriamente dita, atravessou os seus bons e maus momentos; para ser sincero, creio que, depois de 1976, não conseguiu aproximar-se, nunca, daquele nível que pode ainda hoje ser recordado por muitos. Houve fases em que parecia uma weissbier sem rótulo, em garrafas de litro – mas só no aspecto; na verdade, o seu ar turvo denunciava a desgraça que o país atravessou. Agora, há uns anos, regressou com rótulo, com marca, com imagem, mas, infelizmente, com pouca qualidade. É pena: as suas memórias são felizes e não deixam de apoquentar as papilas. Mas a história é mesmo assim. Não é problema: a 2-M é boa, a Manica está ligeiramente acima.+MARCA: Laurentina
Origem: Moçambique
Álcool: 4,5%
Avaliação: -

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