15 abril, 2006

2-M || Índico, parte um

Para quem conhece o Maputo, ou para quem recorda Lourenço Marques, os fins de tarde junto do Índico, na marginal da cidade, são provavelmente mensagens do divino. Refiro-me ao céu, naturalmente; à ligação entre os coqueiros e a água que nos separa da Inhaca, ao longe, da Catembe, dos aluviões das tempestades. Há um pouco de tudo, a caber nessas memórias. Só por acaso, hoje em dia, se podem chamar «coloniais» a essas memórias. Cada um tem as que tem, mas o tempo não apaga aquilo que fica. Nem o sabor da bela cerveja produzida, sabe-se com que dificuldade, pela fábrica Mac-Mahon, a 2-M. Bebi a mais recente na velha esplanada do Continental (o Scala, mesmo em frente, está em obras), num domingo manso, batido pelo vento na Baixa, e lembrei todas as outras vezes em que bebi 2-M: mantém-se a suavidade que a distinguia da Laurentina, mas sem perder o sabor atraente. No conjunto das cervejas africanas, a 2-M pode ombrear com a Castle ou a Lyons, exemplos maiores, a que acrescentaria a actual Cuca angolana, uma pilsener que se pode tornar de eleição e bem superior. Antigamente, estes cafés serviam umas batatas fritas para acompanhar. Desta vez, não havia. Comeu-se um pires de caju, exemplar e salgadinho. Um purista recomendaria que se lhe melhorasse a água, mas a transparência é quase absoluta. A copo, de resto, perde um pouco.

+MARCA: 2-M
Origem: Moçambique
Álcool: 4,5%
Avaliação: *