15 abril, 2006

Thomas Hardy || Visitação literária

Penso em Thomas Hardy e, naturalmente, penso em Tess of the D'Urbervilles, em Judas o Obscuro ou em A Pair of Blue Eyes. Mas não devia. Devia também pensar na Thomas Hardy Ale, uma cerveja datada e assinada (coube-me uma de 2003), mas, pelo meio, fui assombrado por uma imagem perturbadora de Natassja Kinsky (que aparecia na versão de Tess em cinema, justamente).
A Thomas Hardy ganhou, então, outras formas. Não é uma cerveja que se beba ao final da tarde, enquanto se comentam generalidades e se lamenta o tempo que passa. Trata-se, senhores, de uma cerveja erudita: os seus 11,7% de álcool enfrentaram garbosamente a Natassja Kinsky, mas claudicaram à terceira investida. Perdão, garrafa. Deve beber-se fria, retirada do frigorífico apenas, e conservada em balde de gelo; o copo deve ser largo para se aspirar esta enorme quantidade de aromas que andam à solta, provocando a libido do bebedor: um nadinha de caramelo, sim senhor, açucares, uva e figo, ameixa ou damasco, cereais bem tostados e até um ligeiro toque de fumo. Se se tem muita sede, recomendo o seguinte: que o primeiro trago seja moderado, ao contrário do que sempre acontece com uma pilsener ou uma lager corrente; deixemos que a espuma (nada famosa, de resto) nos acolha depois, enquanto apreciamos o líquido, a sua cor ligeiramente obscura, muito próximas do rubi. Como Natassja Kinsky. Escrevi apenas três vezes o nome de Natassja Kinsky (quatro com esta), o que me parece normal.
MARCA: Thomas Hardy Ale Origem: Inglaterra Álcool: 11,7% Avaliação: ****