Westmalle (Tripel) || Regresso à Europa
Campos de erva rodeados de buxo, muros que delimitam um outeiro, castanheiros frondosos, um melro, silvas em alamedas frias, chuva – voltei à Europa para nova cerveja. O Inverno, em geral, pede cervejas que possam ser bebidas devagar, com açúcar em dose mais «substantiva» e cores quentes, próprias para acompanhar refeições ou servir de encosto ao fim da tarde. A Tripel Westmalle é uma delas, amaciando com a idade e não perdendo o seu ar robusto, contrastando com as fermentações suaves ou rápidas das cervejas claras. No contexto dos exemplos trapistas que já têm aparecido nesta coluna, a Tripel Westmalle apresenta, além disso, duas presenças deliciosas: um certo tom de fruta (citrinos, provavelmente – a noite da prova estava difícil para recordar tudo, como o leitor compreenderá) e um rasgo mínimo de chocolate, que passa por ser impressão apenas.Servida em copo largo, a Tripel Westmalle (a Dubbel é mais ligeirinha) sai directamente da boca para o estômago, é certo – mas há um refluxo que se dirige para a cabeça. Recomendaria um certo cuidado no seu uso longe das refeições por isso mesmo, ou, pelo menos, que se acompanhem as libações de um queijo salgado. Os bons monges da abadia de Westmalle deviam ter feito o mesmo quando, ao fim de ano e meio, abriam as garrafas de grês para provar o resultado de tão generosa fermentação.
+MARCA: Westmalle (Tripel)
Origem: Bélgica
Álcool: 7%
Avaliação: ***

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